2012 - 2018
Aqui jaz a história de um grande amor.
Quando acorda olha para o lado
Se veste bonita pra ninguém
Chora escondida no banheiro
P'ras amigas finge que está bem
Mas eu vejo
Eu vejo
Acha que precisa ser durona
Não dá espaço para a dor passar
Tem um grito preso na garganta
Que não está deixando ela falar
Mas eu ouço
Eu ouço
Quase como que anestesiada
Vai deixando a vida carregar
Ela sentiu mais do que aguentava
Não quer sentir nada nunca mais
Mas eu sinto
Eu sinto
Qualquer um que encontra ela na rua
Vê que alguma coisa se apagou
Ela está ficando diferente
Acho que ninguém a avisou
E eu digo
Eu digo
Sinceramente julgava já ter o luto
feito, mas não tinha o luto feito
coisíssima nenhuma, tal como
Cesariny diz que Álvaro de Campos
fazia, emociono-me — e não consigo
acabar. Bom, isto não é para levar a sério,
às vezes consigo, mas é preciso
não ter nada que me distraia.
Chamar luto a isto é bem visto,
morre o amor como morre uma pessoa.
Mas depois a vida continua, pois
não é verdade, cheia de gente adaptada
às grandes linhas de actuação dos governos.
- O que é que aconteceu?
- Vi-o através da lente de outra mulher.
Tell me, tell me, although it may pain me, oh pain me to know. Did you smile? Did you kiss? Did you fall? I shall really forgive, if only you tell me all.