Não sei de palavras para te dizer que é o fim. Talvez use um poema do Eugénio de Andrade, aquele onde ele diz que as palavras estão gastas.
Prometo-te que deixo tudo arrumado. O lençol da cama bem esticado, a louça no escorredor, a manta cor-de-abóbora dobrada no braço do sofá.
Cansámo-nos.
Eu bem te disse um dia que remar só de um lado não ia dar bom resultado.
"Andámos em voltas rectas na mesma esfera". "As palavras estão gastas". Já nada é meu.
Deixámos o barco em contra-mão e fizemos da partida a nossa meta.
Eu não sei ser feliz e tu não sabes falar de amor.
"Gastámos tudo menos o silêncio."