22.8.12

Religião

Respiro fundo.
— O que foi?
Estou a adormecer no teu peito e dou por mim a pensar que não me importava de ficar assim para sempre. Rapidamente me lembro de que não acredito em para sempres. Mas, mais uma vez, é o medo disfarçado de descrença. Nunca mais fui à missa aos domingos. Forcei o meu ateísmo no amor.
— Nada.
Mentira. Continuo a dizer a minha oração todas as noites antes de adormecer, excepto quando o faço no teu peito. Nessas noites, sou ateia, tal como tu.
Respiras fundo.

15.8.12

Guião

O telefone que não toca. Um silêncio que não se esgota. O choro preso nas mordidas das bochechas. E o nosso fim. Uma e outra vez. O mesmo filme. Aquele que já aconteceu muito antes de ter sido escrito. Nunca disse que te amo, porque quero acreditar que assim dói menos. Nunca disseste que me amas, porque não acreditas no amor. Lá vem o mesmo filme. O mesmo silêncio. E o telefone que continua sem tocar. Tenho as bochechas em sangue.