17.6.18

Poema

Sinceramente julgava já ter o luto
feito, mas não tinha o luto feito
coisíssima nenhuma, tal como
Cesariny diz que Álvaro de Campos
fazia, emociono-me — e não consigo
acabar. Bom, isto não é para levar a sério,
às vezes consigo, mas é preciso
não ter nada que me distraia.

Chamar luto a isto é bem visto,
morre o amor como morre uma pessoa.
Mas depois a vida continua, pois
não é verdade, cheia de gente adaptada
às grandes linhas de actuação dos governos.

in Se As Coisas Não Fossem O Que São, Helder Moura Pereira 

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