17.4.14

A demora

Onde não puderes amar, não te demores.
Frida Khalo


Ensinamentos que vieram parar a mim noutras palavras e por outros autores. O que acredito explicar muito do que (não) aconteceu. Talvez insegurança, medo ou até distracção em alguns momentos — assumo (vemos tão melhor à distância) —, mas, na maioria deles, talvez, uma (in)consciência clara de que ainda não tinha chegado o tempo de me demorar. A comparação ao outro (aos outros) é sempre ousada, errada, perigosa. Ao mesmo tempo, tentadora. E devíamos lembrar-nos mais vezes, antes de cairmos nessa tentação de nos compararmos, de que não estamos em contra-relógio, muito menos a preencher a caderneta de cromos. No nosso relógio emocional nem nós mandamos. (Nos outros, trocamos-lhes os ponteiros à vontade, voltamos atrás, adiantamos a hora.) Mas, neste, quando o alarme se faz ouvir... inexplicavelmente nem nos lembramos de carregar no snooze. Levantamo-nos depressa com vontade de apressar a demora.

25.2.14

Mentiras

No início, mentimos todos: um diz gostar mais para demorar menos, o outro diz gostar menos com medo de que doa mais.

19.1.14

Ringue

Percebi que entrei no ringue já vencida. Não há quem saia vencedor por gostar mais. Não há quem perca por lembrar menos. (Subimos de rastos, tentamos manter o ritmo da luta para não dar parte fraca.)

Estou partida e é o meu primeiro round.

Quis plantar na tua memória todas as nossas histórias. Foste-as esquecendo a todas.

Estás a apagar o livro que eu tento escrever.

Já com a boca em sangue e o corpo pisado, assumo a derrota que soube ser minha desde o início. (Sabemos que vamos ao chão desde o primeiro momento. Está escrito. Quando o coração é semeado no lugar da cabeça, não há corpo que nasça forte.)

Repetes os golpes que eu tento pela primeira vez. 

O teu coração foi plantado no lugar no coração.
O meu no lugar da cabeça.

Vou perder esta luta sempre.