"Não penses nisso". E eu enlouquecia de raiva. O cérebro não desliga como a luz da mesa de cabeceira que deixo acesa de propósito. O passado vem à superfície todas as noites e assusta-me como os fantasmas que me assustavam quando era pequena. Agora eles não estão à janela, nem são só sombras. São de carne e osso. São mulheres que usam saltos altos, falam muito e pintam a boca de vermelho. E andam à nossa volta. É a materialização dos monstros. Que eu não quero contar. É a velha com a verruga e as rodas dentadas que me faziam acordar com espasmos. Uma sensação parecida àquela que tenho cada vez que sinto que me vão trocar o nome. Os fantasmas e os monstros podem não ser só imaginários. Eu posso ser só mais uma. E já estou muito crescida para dormir no meio dos meus pais até o medo ir embora.
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