Chamaste-me e eu soube. A tua voz desceu para os graves. Já só te lia em Clave de Fá. A intensidade do que dizias espelhava-se nos batimentos por minuto da tua respiração. Cada palavra era uma semibreve. Inspiravas em pausas de dois tempos. O teu frasear não oscilava mais do que dois tons e meio. O teu compasso simples. O meu composto. Os meus nervos em falsete. Respirava em stacatto. Se o meu silêncio falasse, escrevia uma partitura inteira só com semifusas. Eu sabia que querias pôr a barra final. E eu só queria que me deixasses escrever uma marca de repetição na pauta. Chamaste-me e eu soube. O maestro foste tu.
(April 13, 2012, 12:42am)
(April 13, 2012, 12:42am)
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