4.5.13

Surto

outro dia perdi-te que estranho ia jurar que te tinha arrumado naquele canto da sala de estar às vezes não sei bem o que acontece provavelmente fui só eu a esquecer-me de onde te pus na verdade é sempre o mesmo já desisti de contar às vezes depois quanto te acho lá estás tu cheio de pó sem conseguir respirar a minha mãe tem razão devia arrumar o quarto mais vezes desculpa se estás com falta de ar mas eu já estou cansada de procurar se admitisses que foges de mim era mais fácil eu não tinha culpa nem amor e as pessoas que não têm amor habituam-se a não ter nada nem culpa os dias cinzentos já não são uma chatice porque é a única coisa que conhecem e se eu não sentisse falta do sol nunca andava angustiada mas assim volta e meia ele desaparece e eu não sei de ti entro no abismo da inquietude canso-me e sento-me no canto onde acho que te guardei a chorar

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