Quis tocar uma música que tinha feito para ti.
Mi, Lá, Ré, Sol, Si, Mi. (Não percebo, nunca começo pela mais grave.)
Apertei demasiado a última corda e parti-a.
Sem o meu instrumental, tentei remediar ao trautear o primeiro verso, mas desafinei logo na segunda nota. (Era a oitava errada.)
Que merda. Estava condenada ao fracasso. Se nem na música, como no resto?
Resignada, li-te o poema.
Depois de teres tropeçado em várias sílabas, também a tua voz partiu.
Não arrisco mais nas canções.
Nem tu nas palavras.
Somos de espectros diferentes.
Em comum temos apenas uma coisa
(—amor)
a palavra que te faz tropeçar e a nota em que desafino são a mesma.
Sem comentários:
Enviar um comentário